Soco no estômago de uma sociedade doente

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Tom na Fazenda: impactante e muito denso

Entrega dos atores leva o público a refletir sobre o preconceito, a homofobia, a irracionalidade e principalmente a solidão

Por Waleria de Carvalho

Ao sair do teatro do Sesi, no Centro do Rio, numa sexta-feira à noite, quando a maioria das pessoas está tomando o tradicional chope para curar as mágoas,  após assistir a excelente peça Tom na Fazenda, meu coração disparava de tão tensa que eu ficara. Não conseguia pensar em outra palavra para me remeter ao texto original do canadense Michel Marc Borchau, denso, tenso e maravilhoso: SOLIDÃO.  Apesar de os quatro personagens terem pouca ligação, excetuando mãe e filho,  é a solidão que os une por mais que isso pareça patológico.  Tom era casado com um homem de 25 anos que morre num acidente de motocicleta na cidade grande e leva o corpo de seu namorado para que o funeral seja feito na fazenda da família dele numa cidade distante.

Qual não é a sua surpresa quando ninguém sabe de sua existência e o pior ele também não tinha conhecimento, ao menos, que o namorado tinha um irmão mais velho, completamente truculento, que não aceita sua sexualidade e está o tempo todo, de uma certa forma, pedindo ajuda com suas inúmeras agressões ao então cunhado e ao provável objeto de uma nova paixão. A “loucura familiar ” é tanta que Tom se vê obrigado a entrar num jogo de mentiras e inventa para a mãe deles, a mando do cunhado, que seu irmão tinha uma linda namorada, de nome Elen e que só falava inglês.

O amor e o ódio andam muito juntos

A peça é um soco no estômago de nossa sociedade doente, carente, preconceituosa, mentirosa e homofóbica. Também faz as famílias refletirem sobre o que é o amor entre mães e filhos,  homens e mulheres, homens e homens, mulheres e mulheres. Ou seja o amor entre os seres humanos em sua essência, tão difícil de ser encontrado nos dias de hoje, mas ainda possível.

O  texto é baseado no original Tom à la Farme do autor canadense Michel Marc Bouchard e foi adaptado e traduzido no Brasil pelo ator Armando Babaioff, que interpreta Tom. Ainda estão no elenco  Gustavo Vaz , Kelzy Ecard, e Camila Nhary. Quem assina a direção é Rodrigo Portella. A entrega do atores é visceral. Tem-se a impressão que o palco, de fato, vira uma fazenda, cenário para toda essa história.Um texto complexo que é pura emoção durante as quase duas horas de espetáculo.

No suposto amigo do filho, uma esperança (Foto: Ricardo Brajterman / divulgação )

Com cinco indicações ao Prêmio Shell e sete ao Cesgranrio, Tom na Fazenda entra em sua última semana no Teatro do Sesi, no Centro do Rio, depois de estrear no Oi Futuro do Flamengo, na Zona Sul carioca, e de ter passado pelo Estado do Rio no Circuito Sesc. A peça poderá ser vista nesta quinta e sexta-feira, às 19h30 e sábado, às 19h. Vale conferir.

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