Lirismo, lembranças e delicadeza na peça O Quadro

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Por Waleria de Carvalho

 

Ousadia, coragem e determinação. Foram essas três palavras que me remeteram quando assisti, na noite de sábado (7 de outubro), numa das salas do teatro Baden Powell, em Copacabana,  ao espetáculo O Quadro ou Pequeno Poema para o Fim do Mundo, escrito, roteirizado , dirigido e interpretado por Flavia Milioni. ‘’É um processo muito solitário. Mas por uma questão financeira resolvi fazer assim’’, disse Flavia, que estreou a peça há cerca de um ano e meio num espaço alternativo no Largo do Boticário, no Cosme Velho, Rio de Janeiro. E não foi por acaso!!

Trata-se de uma peça autobiográfica na qual Milioni conta parte de sua vida e faz uma analogia entre um quadro, comprado por sua mãe em Araçatuba, interior de São Paulo,  e da importância que essa obra, assinada por Pedro Nascimento, tem no decorrer de toda a sua vida. Depois da  separação dos pais, Flavia mais parecia um nômade de tantas casas em que morou. Muitas mudanças de endereço poderiam até tirar a referência de uma menina que acaba crescendo sem raízes e referências, mas o quadro – com casinhas – acabou por deixá-la  naquele lugar onde se via sempre e acabou, inclusive, se encontrando nele ao conhecer o Largo do Boticário, justamente a paisagem do quadro. Outro acompanhante na ousadia da atriz é Fernando Pessoa. Em um trecho da peça ela declama fragmentos do texto do poeta sobre a mudança  do tempo.  A música, tocada por Flavia ao violão, é outra constante na peça, que chama atenção pelo lirismo e delicadeza nas palavra.

Paralelamente, a atriz também dá uma aula de história falando de acontecimentos do mundo, como os muitos planos pelos quais o Brasil atravessou, a inflação, algumas tragédias em outros países e outros momentos dos quais muitos na plateia nem se lembravam. Quer conferir?? Dá um pulinho hoje às 19h na Baden Powell. Último dia.

 

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