Fabiula Nascimento prestigia namorado no espetáculo “Cazuza Pro Dia Nascer Feliz”

0

Denis Carvalho e Fabiula Nascimento assistem o musical na companhia de amigos.

Pouco antes de sua morte, em 1990, ainda havia quem pensasse, pasmem!, que a obra de Cazuza não passava de um subproduto de rock. Mas “ao mesmo Deus que ensina a prazo, ao mais esperto e ao otário”, o tempo mostrou o contrário. Vinte e cinco anos depois, o espetáculo “Cazuza — Pro dia nascer feliz, o musical” apresenta a personalidade singular do cantor e compositor e mostra, sem pudor, sabores e dores que pontuaram sua meteórica carreira, de apenas oito anos, por meio de 31 canções, executadas por sete músicos e 16 atores, numa equipe de 80 pessoas.

Concebida pelo eterno “subversivo” Aloisio de Abreu, a peça biográfica traz o ator e cantor Emílio Dantas na pele do “maior abandonado” em uma atuação surpreendente. Assim como fez com Tiago Abravanel em “Tim Maia — Vale tudo, o musical”, o diretor João Fonseca aposta suas fichas no carisma de Emílio, que, apesar de não se parecer fisicamente com Cazuza, o impressionou pelo jeito e pela voz, muito parecidos com os do artista.

“Eu tenho o mesmo timbre do Cazuza, só que um tom abaixo. Isso é uma maldição e um privilégio, ao mesmo tempo. Significa que preciso estar o tempo todo cantando em uma região acima, o que requer um grande esforço. Dói, mas vale a pena, e eu faria tudo de novo para ter esse grande prazer”  conta Emílio Dantas, de 23 anos, que, ao estrear há dois anos no Teatro Net Rio, teve apenas 45 dias para se preparar para encarnar Caju, como o músico era chamado pelos amigos.

A performance vocal e teatral de Emílio, que estava no elenco da na novela “Dona Xepa”, da Record, e estrelou o filme “Léo e Bia”, de Oswaldo Montenegro (2010), arrancou lágrimas de Ney Matogrosso e Sérgio Maciel, ex-namorados de Cazuza, que assistiram, com a equipe do Rio Show, a um dos últimos ensaios do espetáculo antes da estreia .Espetáculo sem pudores.

Foi a primeira vez que os dois representados, respectivamente, pelos atores Fabiano Medeiros e Bruno Narchi, reviveram episódios significativos de suas próprias vidas.

” Quando Emílio abriu a boca e disse a primeira palavra, eu vi o Cazuza ali. É muito emocionante, fiquei tocado. Não sou de me emocionar, mas perdi o controle. Ele canta igual, é um trabalho belíssimo” aprova Ney, ignorado na cinebiografia “Cazuza, O tempo não para” (2004), de Sandra Werneck e Walter Carvalho. ” Aquilo foi muito estranho. Ficou de fora, por exemplo, a importância que a minha gravação de “Pro dia nascer feliz” teve para o Barão Vermelho. Depois disso, a versão da banda passou a tocar sem parar, lembra”.

O estouro da música está no roteiro do musical, assim como a paixão flamejante que Ney viveu com Cazuza antes de o filho de Lucinha e João Araújo (interpretados por Susana Ribeiro e Marcelo Várzea) conquistar seu lugar ao sol.

“Foi em 1979. Um dia, eu e Yara Neiva estávamos doidões no meu apartamento, que tinha três andares. Ela me disse que o Cazuza estava lá embaixo e perguntou se ele podia subir. Ele veio e ficamos os três alucinados na minha cama. Uma hora, ele me pediu um beijo. E aí o mundo desapareceu ao nosso redor” conta Ney, que ficou com Cazuza por três meses.

O romance entre Cazuza e Serginho também é retratado na peça, que traz um único cenário, com praticáveis, uma criação de Nello Marrese. A paquera começou em 1981, na oficina de teatro que faziam no Parque Lage, mas só decolou mesmo depois de mais uma das intermináveis noites no Baixo Leblon.

” Ele me ofereceu uma carona e, quando parou o carro no sinal, me agarrou. Lembro que tocava “Cavalgada”, com Roberto Carlos. Dali, já fomos para a casa dele e ficamos juntos por quatro anos — lembra Serginho, que se acabou de chorar no ensaio. — Foi uma sessão de tortura. Não sei como a Lucinha consegue. Acho que ela resolveu essa história”. A luta conta a Aids.

Uma mentira sincera, talvez. Lucinha, que um dia cogitou proibir regravações da obra do filho, como mostra uma das cenas da peça, confessa que suas feridas continuam abertas.

“É muito bom ter tido um filho como ele, mas era melhor que tivesse sido um menino comum. Porque ele pagou um preço muito alto. Não sei se valeu a pena. A gente cria os filhos à nossa imagem e semelhança. Mas a vida dele não foi igual à minha. Eu custei a entender, mas pari um gênio ” diz ela.

Aos 77 anos, a fundadora da Sociedade Viva Cazuza, que presta assistência a crianças e adolescentes portadores do HIV, prendeu o choro ao conferir o ensaio.

“Eu choro muito pouco, meu coração que bate muito. Faço de conta que não é a história da minha vida. Hoje foi duro, viu? O João (Araújo) não tem forças para assistir. A peça é muito honesta, espero que o público goste” — diz.

Uma das cenas mais fortes, para Lucinha, é quando Cazuza compõe “Ideologia” no hospital, em Boston, onde ele viu a cara da morte. No espetáculo, enquanto é examinado, o poeta delira em cima de uma cama, sofrendo com os sintomas da Aids, bem no começo do segundo ato.

O Zeca (o produtor Ezequiel Neves, vivido por André Dias) me disse que ele tinha feito uma música nova com o Frejat (personificado por Thiago Machado). Eu não conhecia ainda. Na época, ele estava desenganado no CTI. Então, fiz promessa para Santa Rita de Cássia, e ele viveu mais dois anos — relembra.

Uma obra magistral

Encenada em ordem cronológica, a montagem reproduz com fidelidade o visual dos anos 80 nos figurinos de Carolina Lobato. A formação do Barão Vermelho, o auge da carreira solo, o lifestyle boêmio e a luta de Cazuza contra o HIV são os pilares do espetáculo, que tem 135 minutos, contando o intervalo.

O musical Casuza ( fotos Willian Oda / AgNews )
O musical Casuza ( fotos Willian Oda / AgNews )
O musical Casuza ( fotos Willian Oda / AgNews )
O musical Casuza ( fotos Willian Oda / AgNews )
O musical Casuza ( fotos Willian Oda / AgNews )
O musical Casuza ( fotos Willian Oda / AgNews )
O musical Casuza ( fotos Willian Oda / AgNews )
O musical Casuza ( fotos Willian Oda / AgNews )
O musical Casuza ( fotos Willian Oda / AgNews )
O musical Casuza ( fotos Willian Oda / AgNews )
O musical Casuza ( fotos Willian Oda / AgNews )
O musical Casuza ( fotos Willian Oda / AgNews )
O musical Casuza ( fotos Willian Oda / AgNews )
O musical Casuza ( fotos Willian Oda / AgNews )
Denis Carvalho ( fotos Willian Oda / AgNews )
Fabiula Nascimento ( fotos Willian Oda / AgNews )
você pode gostar também

Deixe uma resposta