Fabiana Escobar, a Bibi Perigosa real, transforma vidas através da arte e da cultura na Rocinha

Bibi Perigosa fala sobre sua produtora Rocywood, que está finalizando as gravações do filme de terror “Vale dos Espíritos” e de toda a ação social que ela mobiliza na Rocinha

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Nesta terça-feira (13), a atriz, escritora, produtora e cineasta Fabiana Escobar, a Bibi Perigosa da vida real, em uma entrevista exclusiva, nos contou sobre os projetos de ação social que tem mudado vidas de adultos e crianças, através da sua produtora independente Rocywood, na maior comunidade da América Latina, a Rocinha.

A marina mais bem equipada de Búzios
Sérgio Mib (Foto: Reprodução/ Instagram)

Criado por Bibi Perigosa, Sérgio Mib, Jefferson Luiz, Hudson Carvalho, André Alves, Paulo Boldo e João Carvalho, o Rocywood é um grupo voltado para o cinema composto por produtores, diretores e atores que vivem na Rocinha que tem como objetivo descobrir talentos e espalhar a cultura na comunidade através da arte.

Equipe Rocywood (Foto: Juan Filder)

Bibi afirmou que o grupo enfrenta muitas dificuldades por ser independente e trabalhar com recursos próprios, sem a ajuda de ninguém e mesmo assim, fazem uma oficina e um treinamento com preparação de atores para gravar os filmes: “A cultura é uma ferramenta de resgate que foi um resgate para mim, que escrevi um livro, fiz cinema, escrevi uma peça de teatro… tudo isso me salvou. Eu sou o resultado disso e sei que pode funcionar com outras pessoas. Só que não precisamos esperar uma criança crescer, se enrolar, ficar toda ferrada para ir lá resgatar ela. A gente pode trabalhar com a prevenção. Não temos dinheiro para abraçar uma causa grande, montar um negócio para atender muitas pessoas, então o que a gente faz? A gente dá o que tem, que é mostrar para eles que estamos ali, carregando caixas nos ombros, de chinelo, segurando os fios.”, contou ela que, além de tudo, também cozinha para alimentar a equipe durante o trabalho.

Bibi Perigosa e Sérgio Mib (Foto: Juan Filder)

O grupo iniciou fazendo um curta-metragem em 2014, ganhando o primeiro prêmio no Festival em Atibaia, produziram outro curta-metragem e agora estão vivendo o desafio de fazer um longa-metragem de terror, chamado “Vale dos Espíritos“. Questionada do porquê a produção escolheu um filme de terror, Bibi Perigosa foi enfática: “Estamos rompendo uma barreira por estar fazendo isso. Eu não queria estar fazendo um filme que tratasse dos assuntos só da favela porque algumas pessoas usam isso. Eu também poderia produzir um filme assim, falando do dia a dia da comunidade por que ali é muito amplo, tem muitos talentos, muitas histórias, mas eu quis fazer algo que ninguém havia feito, eu quis fugir do tradicional Polícia e Bandido. O terror brasileiro é difícil. Estamos acostumados a assistir um filme de terror importado, aí pensei: Vou escrever um filme de terror e a gente vai provar que nós podemos fazer qualquer tema.”, explicou a produtora.

Equipe Rocywood nos bastidores do “Vale dos Espíritos” (Foto: Juan Filder)

Ainda se tratando do filme de terror “Vale dos Espíritos “, que está sendo produzido na mata do Morro da Rocinha, Bibi contou que as gravações foram interrompidas diversas vezes por questões de guerras de facções do tráfico (tiroteios), por causa da pandemia do novo Coronavírus e por questões financeiras: “É um processo que está vindo com muito empenho de todos e não só meu. A questão não é só eu investir o dinheiro. Isso pra mim é o de menos por que se eu tiver um milhão, eu vou investir um milhão no filme, eu não estou preocupada com isso. A minha preocupação é o elenco, a produção, que está ali se dedicando, trabalhando nisso todos os dias. A gente entra na mata às sete horas da manhã e sai de lá às 8 horas da noite.”, intensifica.

Atores de Rocywood gravando o filme “Vale dos Espíritos” (Foto: Reprodução/ Instagram)

Bibi se divide em várias para tudo dar certo durante as gravações: faz o roteiro, dirige o filme ao lado de Mib, segura a luz, cozinha, entre várias outras atividades, atraindo várias crianças que passam de curiosas à ajudantes da produção, iniciando ali, o gosto e amor pela arte: “Uma das coisas que eu e os meninos da produção levamos muito a sério é a responsabilidade social que nós temos com o Rocywood. Não é propaganda e nem marketing por que eu sou do Morro, eu sou o Morro. Eu já passei por muita coisa, eu sou o fruto daquele ambiente ali, então eu faço parte também disso e percebo que na favela existe muita dificuldade de ter um exemplo positivo, uma boa referência. O sucesso dentro da favela é alguém que está com dinheiro, está com poder, motos, carrão, roupas caras, rindo, feliz e que se a gente for entender chega à parte trágica de tudo isso, e quando uma criança olha aquilo e tudo em volta dela é pobreza e vê o cara ficando rico como o único exemplo que ela tem de sucesso ali, a gente tenta mostrar para essas crianças que através da arte, do incentivo e da inclusão, elas podem ser alguém importante e até aparecerem na televisão,” , pontua Bibi Perigosa.

Bibi Perigosa e Sérgio Mib (Foto: Juan Filder)
Angel Montteiro entrevistando Bibi Perigosa (Foto: Juan Filder)
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